O que acontece na BTL
Fica na BTL
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Finalmente!
Abro a porta do quarto. De roupão felpudo e chinelos de quarto, há cerca de duas horas que desisti do vestido, dos saltos altos e da maquilhagem.
— Desculpa! O Arnaud obrigou-me a rever o plano estratégico de reservas para o fim de semana. Já sabes como são os desastres do double booking. Ficámos ali a olhar para as tabelas…
— Ai homem, cala-te!
Puxo-o com firmeza para mim, agarrando-o pelas lapelas do blazer. São quase duas da manhã, mas, apesar das olheiras, do cansaço, ele cheira sempre bem. A calor, a sal, a açúcar morno… a gel de banho?
— Ai tu não me digas que ainda foste tomar banho? A sério, Francisco?
Ri-se timidamente, meio atrapalhado, passando a mão pelos cabelos, agora que reparo, ainda húmidos.
— Eu estava mesmo porco… a sério.
Sorrio. Sorrio-lhe nos olhos, depois fixo-lhe os lábios. Aproximo-o ainda mais de mim, e as pontas dos dedos dele pousam na minha cintura. Sempre meio a medo, com cautela, como se esta não fosse a enésima vez que fazemos isto.
— Saudades tuas.
— E eu tuas.
Aproximo a minha boca. Por instantes, segundos, ficamos ali, os lábios quase a roçarem-se, mas a escassos milímetros. O hálito quente dele aquece a minha boca. Respiramos a respiração um do outro, um jogo de teimosia. Impaciente, aproximo a minha boca do lábio inferior dele. A barba, suave, cheirosa, faz-me cócegas na cara. Mordo vagarosamente, chupo. E afasto-me.
Ficamos a olhar-nos, a avaliar-nos, a tentar perceber, sem dizer nada, se ainda é isto que queremos. Agora, com mais firmeza, agarra-me pela cintura e puxa-me para ele. Entrelaço os meus braços no pescoço dele. Sorrio.
— Senhora diretora-geral ibérica… — sussurra, a sorrir com satisfação. Vindo de outro gajo, ainda por cima da concorrência, seria dito com um esgar de inveja ou desdém. Emoções que o Francisco ou não tinha ou raramente tinha. Não que não fosse capaz, mas porque, sendo o homem genuinamente bom que era, não perdia tempo a desgastar-se com merdices negativas. E como eu o admirava por ser assim.
— Já era mais do que tempo! — respondo, com dramatismo exagerado. O que tinha acontecido na BTL foi uma espécie de cerimónia improvisada, em que o CEO tinha formalizado publicamente aquilo que, na prática, eu já fazia há muito. Pôr aquela tropa toda na ordem e organizar dezenas de equipas que andavam ao deus-dará e a trabalhar como se ainda estivéssemos no tempo do escudo.
— Adoro… — e, acto contínuo, puxa-me para ele. Mergulha a boca, a língua, beija-me com urgência e sofreguidão, a saliva a escaldar na minha língua. A pressão do beijo faz com que a barba roce com mais intensidade na minha pele, provocando uma fricção quente, quase dolorosa, que me incendeia. Sinto-o a ficar duro, quero senti-lo. Coloco uma mão sobre a braguilha dele e, depois, agarro o cinto com a outra, com a missão de me livrar dele o mais rapidamente possível.
— Não.
— Não?
— Não.
Agarra-me nos pulsos e eis que estou encostada à parede do quarto. Estamos quase na penumbra, apenas a luz de presença da cabeceira da cama está ligada. É um quarto de hotel anódino, como a maioria dos quartos de hotel que nos reservam para estas feiras. Uma cama, uma televisão desnecessariamente grande, com canais que nunca vamos ver, uma estrutura metálica e umas ripas de madeira a atirar para o moderninho, mas que, na verdade, servem para poupar o espaço onde deveria estar um armário. Uma casa de banho com duche, um espelho com luzes tenebrosas para vermos bem os poros abertos e os arrependimentos da noite anterior, e está feito.
Pressiona o corpo contra o meu, ainda a segurar nos meus pulsos, para me imobilizar. Olha-me, como se me estivesse a inspecionar. Depois, inclina a cabeça, aproxima-se. Suaves, quase imperceptíveis, beijos são depositados, como flores, no meu pescoço, nos lóbulos das orelhas, em toda a linha do meu maxilar. Solta-me os pulsos e, como se estivesse a pegar num cálice ou numa flor delicada, agarra-me na cara com as duas mãos.
— Fecha os olhos.
Obedeço. Sinto a cara dele a aproximar-se. O calor da boca. Beija-me as pálpebras, enquanto solta um quase imperceptível gemido. Gemo também, de contentamento, de contenção, de impaciência, de querer ficar ali para sempre e, ao mesmo tempo, querer que aquele momento se eternize. O felpo fofo e pesado do roupão queima-me na pele. Estou tão molhada que as coxas começam a ficar húmidas. Preciso que me toque.
— Toca-me.
— Pede.
— Toca-me.
— Pede.
— Cabrão… — resmungo — Toca-me, por favor.
— Aqui? — pergunta, com o polegar a roçar ligeiramente no meu mamilo esquerdo por cima do roupão, o que me provoca um arrepio de prazer e aumenta ainda mais a minha sofreguidão.
— Também, mas… — digo, com a voz rouca, suplicante…
— Então, onde? Aqui? — e faz o mesmo gesto, mas no mamilo direito.
— Foda-se, és tão cabrão… — sorrio, entre o entretida e o já indisfarçavelmente desesperada.
Desce ligeiramente o rosto e, sem abrir o roupão, apenas puxando-o ligeiramente para o lado, abocanha com vagar a minha mama esquerda. Lambe, chupa, enquanto me contorço de prazer e, puxando-lhe ligeiramente o cabelo, incentivo-o a continuar. De repente, sem que eu dê por isso, toca-me com um dedo, muito ao de leve. Só nos lábios, que estão completamente empapados, sem sequer os abrir. Solto um “foda-se!”, enquanto o meu corpo é percorrido por uma sensação dolorosa de prazer, de ânsia, de antecipação. Pára de chupar, levanta a cabeça.
— É aqui?
De frente para mim, já com dois dedos a abrir-me devagar os lábios, olha-me sem me beijar, atento às minhas reações. Fixo o olhar, teimosa, sabendo de antemão que vou perder este jogo. Encosta-se ainda mais a mim, a trancar-me os movimentos. Dois dedos, já encharcados, separam por completo os lábios. Com a outra mão, apenas a ponta de um dedo, toca-me no clitóris. Devagar.
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